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ECLESIOLOGIA

Pequeno Manual de Ecessiologia Batista

Por: Pastor Tiago dos Santos Esteves

A igreja, sob a perspectiva histórica, pode ser vista desde os primórdios do cristianismo neotestamentário, quando do surgimento das primeiras igrejas locais tais como: Jerusalém, Antioquia, Alexandria, Constantinopla, Roma, Colossos, Tessalônica, Galácia, Corinto, Filipos, Éfeso e as demais igrejas da Ásia.

Configuravam entre as mais importantes apenas as quatro primeiras, dirigidas por bispos metropolitanos, até porque estas cidades eram consideradas metrópoles. Dargan nos ajuda separando esta parte da história da Igreja em cinco fases. Uma que vai de Inácio a Constantino; outra, do Concílio de Nicéa até Gregório I; a terceira, de Gregório I a Gregório VII (o primeiro papa), a quarta parte de Gregório VII até a Reforma e a quinta parte da Reforma até aos dias atuais. Vejamos:

1 – Período Inaciano. De Inácio até Constantino (106-325 d.C.)

A característica principal deste período foi o aumento da autoridade do bispo. Como se sabe, a palavra bispo era utilizada para designar o líder da igreja antes que elas tivessem as denominações que receberam mais tarde: católica apostólica romana, católica grega, protestante, cristã ou mesmo as ramificações surgidas através das lideranças e suas revoluções: Luterana, Presbiteriana, Metodista, Anabatista, Congregacional, Batista e outras oriundas destas. No início o bispo ficava em pé de igualdade com os demais membros. No final deste período ele passou a decidir se uma pessoa podia ou não tornar-se membro da igreja. Surgiu neste período a ideia de uma igreja universal.

A palavra católica abarcou este conceito. Católico quer dizer universal, correto; embora, mais tarde, após o cisma, a Igreja Católica Grega, chamar-se-á ortodoxa, que significa mais que correta. Tertuliano da África deu um forte impulso a esta ideia de supremacia da igreja, mas a palavra “católico” inserida no contexto da Igreja deve-se a Cipriano, no ano 251 d. C. Os sínodos e concílios do terceiro século determinaram a existência de uma só igreja no mundo. Com isso outros concílios e sínodos foram convocados e transformados em poderosos conselhos. Confira estes concílios em Cronologia da História da Igreja, de Terri William; ou em Documentos da Igreja Cristã, de H. P. Bettenson.

A perseguição da Igreja pelo Estado culminou na interveniência de ambos através do edito de Milão em 313 d.C. Em dez anos a Igreja e o Estado estavam com seus laços estreitados. O Estado, então, passou a aliar-se à Igreja visando praticamente a dominação, mas, por causa da perseguição, jamais conseguiu de fato o controle. Como a autoridade do Estado e as intromissões nas decisões da Igreja foram se intensificando, em 325 d. C. o Imperador Constantino convocou o Concílio de Nicéia. Um concílio apenas de bispos. Em termos históricos este Concílio é muito importante, por causa das variadas confissões de fé que se basearam em sua Cristologia.

2 – Período Nicênico. Do Concílio de Nicéia até Gregório I. (325-590 d.C.)

O assunto principal deste concílio foi a Pessoa de Cristo. Quase todo o concílio foi desenvolvido em torno da Cristologia. A alta, a média e a baixa Cristologia. Começou aí também a chamada oligarquia, ou seja, um pequeno grupo de membros legislava e colaborava no governo dos demais membros da igreja. Surge, então, a força do Patriarcado. Neste período os bispos das metrópoles se intitularam “bispos metropolitanos”. Eram quatro ao todo: Bispo de Constantinopla, Bispo de Antioquia, Bispo de Roma e Bispo de Alexandria. Nota-se que Jerusalém ainda não tinha sido incluída. Mais tarde é também constituído o Bispo de Jerusalém. Jerusalém foi incluída posteriormente por causa dos seus lugares considerados sagrados. Agora com cinco bispos, um destes deveria ser o líder. Após lutas e discussões, o bispo de Roma foi eleito patriarca acima de todos os demais. Daí surgiu o papado. Roma ganhou por sua ligação de atos históricos com Paulo e Pedro, por causa da interpretação dada a Pedro como a Pedra Fundamental da Igreja, por Roma ser a única metrópole ocidental e pela mudança do Império Romano ter sido mudado para Constantinopla.

3 – O Cisma e o Papado. De Gregório I a Hildebrando. (590-1073 d. C)

O aumento da autoridade de Roma coincidiu com o chamado período das trevas. Roma conseguiu esta autoridade principalmente por causa do aumento do território. A Igreja Romana não convertia pessoas; agregava-as através de uma quase escravidão, através de extrema submissão. Bárbaros, helênicos, francos, povos inteiros eram anexados ao Império Romano, e por assim dizer, à Igreja. Acresce-se a isto, a política crescente. O Santo Império Romano. Com Pepino Breve e Carlos Alexandre estabeleceu-se o conceito de Igreja-Estado.

Ao declinar do cargo de bispo supremo, Gregório I deu enorme ênfase ao titulo de PAPA, o Pai dos Padres. E Gregório VII, cujo nome era Hildebrando assumiu por imposição ou “à força” os poderes da Igreja e também os poderes do Estado.

Ocorre, então, o cisma (a separação entre a Igreja de Roma e a Igreja da Grécia). A Igreja Oriental discordava deste abuso de poder e pouca visão da autoridade divina do bispo de Roma. Com isso foi estabelecida uma divisão entre as igrejas e cada uma dizia que era a única Igreja no mundo. Esta disputa existe até os dias atuais. Esta foi a principal causa da Reforma Protestante.

4 – A Reforma da Igreja. De Hildebrando à Reforma. (1073-1571)

Neste período da história da Igreja, o papado chegou ao seu apogeu. O papa considerava-se a maior autoridade no mundo. A Igreja gostava disso, mas o Estado e os vassalos começavam a se sentir incomodados. Com estas discrepâncias e desmandos do papa, além das divergências de opiniões vieram as ordens monásticas determinadas pelo Papa, que no início eram fiéis a ele; verdadeiros missionários da Igreja; mas, depois, com a escassez de contribuições, começaram a surgir entre os monásticos quem encontrasse erros nas atitudes do Papa. Surgiu, então, muitas seitas heréticas. Parecem ser originadas destes vácuos entre os mandos, desmandos, erros e acertos do líder de Roma.

Em 1517, o monge Martinho Lutero pregou, na porta da Abadia de Wittemberg, suas 95 teses contra a Igreja Romana, como era o costume da época. Com isso nasceu a Reforma Protestante. Lutero não pregava contra o papa ou contra todos os erros do pontífice, pregava apenas contra os pontos doutrinários que ele achava diferente do que lia na Bíblia Sagrada. É criação de Lutero a chamada “Igreja Invisível” e as bases de suas pregações, a unidade da fé. (Seu lema era este: Sola Scriptura, uma só Escritura, Sola Fide), uma só Fé e (Sola Gratia) uma só graça, naturalmente com base em Efésios 4. 4-6.

5 – Período da Reforma Protestante até aos dias atuais.

A Igreja Romana reagiu bruscamente contra a Reforma lançando o movimento chamado Contra Reforma. Para isto valeu-se de três fortíssimos componentes: A Ordem dos Jesuítas, a Inquisição e a Convocação do Concílio de Trento. Estas três fortes armas da Igreja de Roma persistem no contra-ataque e na vanguarda da Igreja Católica Apostólica Romana até os dias atuais. O papa recebeu neste concílio uma espécie de canonização de sua autoridade, uma superioridade e uma divindade eclesiológica e a chamada tradição papal. Tanto é verdade que até hoje a Igreja Católica é chamada de Igreja do Concílio de Trento e sua declaração de fé Declaração Tridentina.

Outros concílios foram convocados, porém, com o advento do protestantismo, surgiram também outras formas da Igreja ser vista que não seja a dualidade: Igreja de Roma e Igreja Grega.

Nesta época surgiram as principais formas de governo e de nomenclatura das Igrejas, tais como: Luterana, Presbiteriana, Anglicana e a Congregacional.

A Igreja Luterana aderiu ao sistema Igreja-Estado. O Estado possui voz ativa na vida da Igreja. Em vários países quem paga as despesas da Igreja é o Estado; em contrapartida, este rege os destinos da fé em nome da ordem. Em algumas, o Estado paga os seus líderes; noutras ele indica os seus bispos. Em alguns países como o Brasil, por exemplo, ocorrem pequenas distorções por causa da cultura e da força exercida pelo Cristianismo, mas há uma forte cooperação entre a Igreja Luterana e o Estado.

A Igreja Anglicana considera-se como parte do domínio político. O Soberano do Estado e o parlamento dirigem a Igreja. A diferença é que dois arcebispos legislam e promulgam as leis da Igreja. Na Inglaterra todos os bispos são indicados desta forma, porém, dois deles têm assento na Casa dos Lordes. Nos demais países fora da Inglaterra a Igreja Anglicana é uma mistura livre com a Igreja Presbiteriana.

A Igreja Presbiteriana. O Presbiterianismo é identificado com Calvino. Igreja para os presbiterianos é sinônimo de denominação. Possuem governo representativo; através de anciãos eleitos pelo povo. Estes, por sua vez, dirigem as igrejas locais. Nem mesmo o presbitério pode tomar decisões finais. Cabe à Assembleia Geral decidir. Esta assembleia é formada pelos representantes dos sínodos.

O conceito de Igreja Congregacional não surgiu com a Reforma. A forma de governar através da democracia existe desde a Igreja de Jerusalém no tempo dos apóstolos. A conceituação e a padronização desta forma de governar cresceu com o aparecimento das igrejas que o adotaram como forma de governar, principalmente a Igreja Congregacional e a Igreja Batista.

A Igreja Batista, quanto ao governo, se identifica perfeitamente com a Igreja Congregacional. Esta forma de governo é preferida pela igreja, associação, convenção estadual, convenção nacional ou aliança mundial.

Sua política reconhece a Igreja como congregação local. Não há hierarquia de pastores ou superintendentes. Não há assembleias que a governam por representação. Cada igreja local soluciona seus problemas, resolve seus assuntos. Ela é sua autoridade máxima em termo de decisões. É obediente à Cristo, seu autor e dono absoluto.

A posição batista de separação entre a Igreja e o Estado garante a Liberdade da Igreja e do Crente em Cristo. Historicamente somos separados. O Estado é Leigo. A Igreja é Livre. A Igreja não ambiciona o poder do Estado. A aquisição de poder político sempre corrompeu a Igreja nas páginas da história. Esta separação é parte distintiva dos batistas.

As datas de organização destas e de outras igrejas aparecem nas disciplinas: História do Cristianismo e História dos Batistas. Segundo alguns autores a Igreja Luterana foi organizada em 1531. A Igreja Anglicana, segundo James Carrol, foi fundada em 1553. A Igreja Presbiteriana surgiu em 1541. A Igreja Congregacional em 1640. A Igreja Metodista em 1880; a Igreja Batista, organizada em 1638, por John Clark; e a Igreja Assembleia de Deus em 1911. Os Batistas históricos defendem o surgimento da Igreja Batista em 1611 na Holanda. No Brasil a primeira igreja Batista, com apenas irmãos de fala inglesa, foi organizada em 1871, em Santa Bárbara, São Paulo; a primeira Igreja Batista de fala portuguesa foi organizada em 1882, em Salvador, Bahia.

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Tema: Vida Cristã, Religião, Doutrinas Bíblicas Palavras-chave: -, anormalidade, batista, cbb, da, denominaÇÃo, e, eclesiÁstica, embriÃo, estrutura, funcionamento, identidade, igreja, nascimento, normalidade, origem

Características

Número de páginas: 291
Edição: 1(2017)
Formato: A5 148x210
Coloração: Preto e branco
Acabamento: Brochura c/ orelha
Tipo de papel: Offset 75g

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