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DISCIPULADO CRISTÃO

Orientações ao Discípulo e ao Discipulador

Por: Pastor Tiago dos Santos Esteves

A partir desse momento entraremos no processo de Discipulado Cristão. O discípulo, com base nas Escrituras Sagradas e com a ajuda do seu Discipulador, está treinando para ser um soldado de Jesus Cristo, seguindo os passos do General.

Discipulado é a atividade de aprendizagem do discípulo com o discipulador ao lado. É estar ao lado do discipulador o tempo todo para receber dele as instruções. É um curso intensivo de vida cristã até chegar à maturidade ou às condições do mestre. Como o nome já diz, manter o Discípulo ao lado do discipulador conforme ocorreu entre o Senhor Jesus Cristo e seus discípulos. A Bíblia diz que discipulado é fazer discípulos. Fazer discípulos começa com a Evangelização. Primeiro, devemos convidar alguém a fazer parte do Reino dos Céus; depois, integrá-lo à Igreja, orientá-lo na Palavra, suprir-lhe as necessidades espirituais e incluí-lo no rol de membros. E o mandamento não é apenas arrolar nomes e dizer que estes ou aqueles agora são discípulos, mas ensinar os novos convertidos a guardar todos os mandamentos, sabendo que a presença de Deus e a instrução do Espírito Santo alimentarão aos discípulos e ao discipulador até a volta gloriosa do Senhor e Mestre.

I – Que é um Discípulo? Que é fazer discípulo? Como preparar alguém para a vida de discípulo?

a) O discípulo é aquele que olha firmemente para os olhos do mestre; aquele que segue o mestre. O discípulo é aquele que segue cada pisada do seu mestre. Isso significa que ser discípulo de Jesus Cristo é andar onde Cristo andou; pregar o que Cristo pregou; amar como Jesus amou; aprender e viver o que Jesus ensinou; e também gerar outros discípulos, como Cristo gerou. No grego é Matetês. Há muitas etapas na vida do discípulo que envolverão empenho e dedicação por parte do discípulo e também do discipulador. Há coisas que se aprende fácil, outras, porém, que levam um bom tempo para serem ensinadas ou aprendidas. Tiago e João ficavam lada a lado com Jesus com a finalidade de extraírem de Jesus todo o ensinamento que saíam dos seus lábios; observavam todos os gestos de Jesus. Isso é natural na vida do discípulo. Essa avidez de conhecimentos, de experiências, de participação na vida do seu mestre é saudável.

b) O discipulado não é apenas uma fábrica de discípulos. Não existe uma indústria de discípulos, onde são processados alguns prosélitos, formatados e transformados em discípulos e colocados na comunidade chamada igreja e usados como cobaias. Há todo um processo espiritual para trabalhar e valorizar o ser humano que se deseja trazer para o Reino de Deus. Orar a Deus pela vida do futuro discípulo, estudar o melhor meio de abordá-lo na evangelização, envolvê-lo nas bênçãos e maravilhas do Reino, tirar as dúvidas e as possíveis arestas do discípulo, socorrê-lo em todas as suas necessidades. Um dia aquele discípulo vai te agradecer por esta bênção. O mestre recebe, às vezes, um discípulo cru, um discípulo completamente despreparado para a vida cristã. Esse trabalho todo com o seu discípulo compensará quando esse mestre receber os louros de todo o seu esforço ao observar os frutos angariados por esse discípulo no futuro.

c) Preparar um discípulo para que ele se sinta bem no seio da igreja; servindo, com prazer a Deus, vivendo a experiência da salvação numa nova fase de sua vida não é uma tarefa fácil, mas, sem dúvidas é gratificante ao final. Aquele bebê espiritual necessita de leite racional, como diz o apóstolo Pedro em sua segunda carta capítulo dois, versículo dois; precisa ser fortalecido na fé e na graça, conforme diz o apóstolo Paulo aos irmãos de Éfeso; conferir em Efésios 6.10.

d) Durante toda a caminhada cristã o discípulo precisa de ajuda espiritual. No início, há um processo de adaptação e aprendizagem. É por isso que Jesus manda fazer discípulos, ou seja, preparar o discípulo para a caminhada cristã. Com o tempo, com o amadurecimento na fé, esse discípulo vai tomando gosto pela vida com Cristo, vai experimentando o Fruto do Espírito, vai entendendo a grandeza da novidade de vida. É o que chamamos crescimento e desenvolvimento espirituais. Em Mateus 10 temos a chamada dos doze. Em Lucas dez temos a missão dos doze. Observe que entre a chamada ao DISCIPULADO e a ENTREGA DE TAREFAS AOS NOVOS DISCÍPULOS há um bom lapso de tempo; há uma caminhada lado a lado com eles.

II – A Características do Discipulador

a) Discipulador é uma pessoa importante na vida do discípulo. É aquela pessoa que foi instrumento de Deus para que chegasse até aquele estágio ou momento. Às vezes a participação do discipulador começa no dia de sua conversão a Cristo; e daquele momento em diante o afilhado espiritual passa a fazer parte de sua vocação, de sua tarefa. Ele é o discipulador, o AIO, o PEDAGOGO, o Magister. No Curso do Jardim de Infância, a tia pega na mão da criança com o lápis e acompanha seus primeiros movimentos na construção dos primeiros caracteres vocálicos. Ensina a segurar o lápis, gira a mãozinha da criança, e fala em voz alta: esse é o “A” de Ana. É por este motivo que o texto de Provérbios 22.6 recomenda a INSTRUIR O MENINO NO CAMINHO EM QUE DEVE ANDAR. Um dia esse menino não mais terá aquela companhia dos pais; eles não mais estarão com ele no caminho. Ele terá a sua frente apenas a caminhada. A instrução será colocada em prática.

b) O discipulador é aquela pessoa maravilhosa que Deus colocou em nossas vidas após nossa conversão a Cristo ou no processo de crescimento espiritual. Há todo tipo de discipulador, mas o que importa é a sua dedicação e sua entrega a Deus nesse brilhante e importante ministério. Requer-se de um discipulador genuína conversão a Cristo, convicção doutrinária, fé inabalável, bom conhecimento da Palavra de Deus, vida de oração e intimidade com o Espírito Santo de Deus.

c) Para os novos convertidos na faixa etária correspondente aos juniores e adolescentes, os discipuladores precisam ter uma paciência enorme, um linguajar apropriado, uma voz suave, uma especial maneira de envolver esses meninos, meninas, mocinhos e mocinhas num ambiente em que eles se sintam à vontade para tirar suas dúvidas, para desabafar (quando for preciso) e para ver Cristo em seu líder local. É um santo e doce ministério, o ministério do Discipulador.

d) Por último, o discipulador deve ser amigo do pastor, deve consultar sempre o pastor sobre os assuntos mais sérios que lhe forem apresentados pelos discípulos. Essa conversa com o pastor deve ser longe do discípulo. Mas, outras conversas, em que o pastor esteja ajudando a ambos (discípulo e discipulador) vai mostrar ao discípulo o espírito de camaradagem que há entre o líder da igreja e seus liderados em geral. Não temos como apresentar aqui todas as características de um discipulador, porque vai depender da natureza do discípulo e do discipulado. No entanto, o discipulador não deve ser neófito, morno nas ideias, despreparado psicologicamente, biblicamente, frio em termos espirituais, desconhecedor da vivência diária e dos valores que norteiam a vida cristã e em comunidade.

III – Os Instrumentos de Trabalho do Discipulador e as Ferramentas do Discípulo

a) O primeiro e principal instrumento de trabalho tanto do discipulador quanto do discípulo é a Bíblia Sagrada. É na Bíblia Sagrada que o discípulo vai encontrar as respostas para todas as suas questões; mesmo aquelas dificuldades que já foram explicadas ou facilitadas pelo discipulador.

b) A Bíblia do discípulo na hora das orientações deve ser igual a Bíblia do Discipulador ainda que na hora da pesquisa o Discipulador possa fazer uso de versões mais esclarecedoras. Os livros extra bíblicos utilizados pelo discipulador para ajudar na orientação do discípulo devem ser indicados pelo Diretor ou Ministro de Educação Religiosa da Igreja; quando não for feito pelo próprio pastor.

c) Filmes evangélicos geralmente ajudam no processo de discipulado; mas, o filme não foi feito para discipular, e sim para agradar ao espectador. Somente deve ser indicado um filme ou documentário ao discípulo após certo amadurecimento na fé. Ainda assim, o pastor deve ser consultado; mesmo que tenha sido uma iniciativa do discípulo.

d) Um excelente instrumento de trabalho na tarefa de discipulado é a Oração. Primeiro o Discípulo aprende a orar com o Discipulador. Jesus disse aos seus discípulos em Mateus 6.9: “Portanto, vós orareis assim...”. Isso significa que a Oração Didática é instrumento de discipulado iniciado por Jesus. Há vários tipos de oração e todas fazem parte do discipulado cristão.

IV – As Fases do Discipulado (a disciplina passo a passo) (início, meio e fim)

a) As fases do discipulado variam de acordo com a natureza do discípulo, da maneira como a igreja vê o discípulo, a maneira como a direção da Igreja encara a tarefa de agregar membros ou mesmo a filosofia da igreja quanto ao destino do discípulo nas lides eclesiásticas. Para uns discípulos temos histórias e para outros, doutrinas.

b) Filipe e Eunuco. Filipe foi mandado por Deus a discipular Eunuco. Ele já estava lendo a Bíblia; já estava em contato com o Deus da Palavra. Ele poderia entender ou interpretar o texto a seu jeito e se desencaminhar na vida. Deus providenciou alguém preparado para fazer entender o conteúdo da Palavra, o texto e o contexto, e assim prepara-lo a ponto de deixa-lo pronto para o batismo. Tanto é que foi o próprio Eunuco da Rainha de Candace que pediu para ser batizado. Nem todo batismo pode ser rápido assim. Havia um preparo e Deus estava agindo tanto na vida do discípulo como na vida do discipulador.

c) Há filosofias como a dos chineses. Não se deve dar peixe ao faminto, e sim dar um anzol e ensiná-lo a pescar.

d) Esse método filosófico não leva em conta a imaturidade do discípulo ou a ingenuidade do novo crente. O novo crente pode até ter o anzol, pescar o peixe, mas precisa de alguém que lhe avise da existência do gato (ou do lobo, no caso de ser a ovelha).

e) O novo crente pesca e vem o gato e lhe rouba o peixe. Morre de fome cedo. É onde entra a necessidade do Discipulador.

f) A etariedade do discipulado também leva em conta o grau de amadurecimento espiritual do novo convertido. Uns já se manifestam a Cristo com uma bagagem espiritual fortalecida; outros, porém, desprovidos de quaisquer orientações bíblicas.

g) Crianças (mesmo antes da conversão a Cristo) podem ser discipuladas (desde que autorizadas por seus responsáveis) e, no tempo apropriado elas se mostrarão mais dóceis, mais hábeis no manuseio da Bíblia, no aprendizado dos cânticos. Etc.

h) Por último, as fases dependerão do grau de comprometimento do novo crente com o exercício da fé. Ele vai sendo preparado para o batismo, para o exercício de tarefas, para o exercício de ministérios, para os embates da vida. Em todos estes momentos é imprescindível a presença do Discipulador ou da Equipe Discipuladora da Igreja. Há uma fase em que o Mestre precisa guiar as mãos dos seus discípulos da mesma forma que uma professora de Jardim de infância guia as mãos da criança na atividade de construção das primeiras letras do alfabeto. Didaskalos é isso. É aquele ombro amigo na hora da dificuldade, mas aquele professor aplicado na hora da dúvida. Há discípulos que confiam em seu discipulador para tomar decisões na vida, aceitando e até mesmo solicitando um certo paternalismo (às vezes perigoso a ambos).

Como foi dito anteriormente o discipulado acompanha o discípulo em toda a sua trajetória cristã. Em vários momentos de nossas vidas estamos sendo ensinados a nos comportar diante das crises, a ter compaixão uns para com os outros, a viver e ensinar a mutualidade cristã e a buscar o amadurecimento espiritual. Há tempo para todas as coisas debaixo do céu, conforme disse o sábio Salomão. Há tempo de ensinar as pequenas coisas, tempo de ensinar o discípulo a caminhar com os seus próprios pés, tempo de ensinar o discípulo a resistir as provas e tempo de ensinar aos discípulos a gerar outros. Costumamos perder muitos de nossos novos convertidos (às vezes batizados e animados) por causa da falta de continuidade do processo de discipulado. Costumo chamar de necessidade de calçamento espiritual aqueles momentos difíceis em que a família, a igreja ou a pessoa passa diante das provas, ao momento de intensificar as orações e as visitações nos lares. Não podemos deduzir que aquele irmão ou aquela irmã está madura ou suficiente forte para enfrentar tal ou qual problema espiritual. Não há crente forte ou fraco, consagrado, preparado que não esteja na mira do inimigo. Graças a Deus os anjos estão acampados ao redor dos salvos. Salmos 34.7. Vejamos alguns comportamentos do Discipulo na abordagem a seguir:

UM VASO NAS MÃOS DO OLEIRO (JEREMIAS 18. 1-6).

Esta é uma irrefutável prova do cuidado e do amor de Deus para conosco. Nós somos os vasos e Deus é o nosso Oleiro. É a obra do oleiro que valoriza o vaso. Todo o nosso valor depende diretamente de quem nos fez, quem nos transformou no que somos, quem nos refez, quem tem condições de nos modelar e nos tornar úteis para a boa obra. Deus está nos preparando sempre para a sua boa obra. Ele nos quer preparados para cumprir seus mandamentos, seus desígnios, seus preceitos, suas orientações.

1. Jeremias obedeceu à voz de Deus e desceu até a Olaria para observar o Oleiro fazendo vasos. Deus queria que ele prestasse atenção ao que o oleiro estava fazendo para mostrar a nós que dá trabalho fazer um vaso e que o oleiro possui total controle sobre o barro, obra prima na criação do vaso. Nós somos vasos.

2. Um vaso é feito sobre as rodas. Havia uma roda embaixo, movimentada com os pés e uma outra em cima, onde ficava a massa a ser modelada e transformada em vaso, que era conduzida pelas mãos. Todo um cuidado era tomado para que a massa não fosse atirada para longe do centro da roda e se perdesse. Assim somos nós nas mãos de Deus, mesmo que estejamos ainda na condição de barro.

3. O vaso se quebrou quando ainda estava sendo feito; enquanto estava nas mãos do oleiro. Enquanto o vaso está sendo modelado, tomando forma; enquanto está nas mãos do oleiro, ele pode se quebrar quantas vezes for que o oleiro poderá recompor a forma, juntar as partes deformadas, destruídas, inutilizadas e com aquele amontoado de barro fazer outro vaso. Quem sabe vaso melhor ainda. Isso ocorre conosco. Quebrados e abandonados sozinhos, somos apenas lixo; mas, se estivermos nas mãos do oleiro, que é Deus, seremos novamente construídos.

4. No verso 06 deste texto, Deus fala diretamente a Jeremias que era exatamente daquela forma é que estamos nas mãos Dele. E que Ele pode utilizar seus divinos recursos para nos reconstruir, para consertar as nossas vidas da mesma forma que o oleiro recolheu os cacos moles de barro e fez um vaso conforme sua conveniência e vontade. Um vaso não tem condições de dizer ao Oleiro, que é Deus, de que forma quer ser; com quem quer se parecer. O oleiro apenas recolheu os cacos, juntou tudo novamente e refez o vaso. Não foi um vaso pronto, seco, endurecido.

5. Para que possamos ser refeitos precisamos também ser flexíveis. Mesmo que já estejamos na condição de apenas cacos de barro, material que não dá para juntar as partes, precisamos nos amolecer para nos tornar barro. É com o barro que se faz o vaso e não com o pó. Se endurecermos os nossos corações a ponto de dificultar a obra de Deus, ficaremos ressecados e impediremos que Ele trabalhe em nossas vidas. Isso pode acontecer conosco através de nossa atitude de rebeldia e transgressão. Cap. 19. 10 e 11. Quando o vaso for inútil aos olhos de Deus, Ele mesmo mandará que seja destruído. É Deus quem autoriza a nossa ruína. Não é o inimigo (que não entende nada de olaria de Deus) que te destrói; é Deus quem permite que sejamos destruídos à vista dos homens. Veja o verso 10. Não se deve lutar contra Deus, pois, seremos despedaçados e jogados num lugar que não tem mais volta. Quem é jogado no inferno por rebeldia contra Deus não tem volta. (V 11)

6. Há forças que facilitam e outras que dificultam a modelagem dos vasos. Há uma força, que na Física, chamamos de Força Centrípeta. Para que o vaso seja construído, o oleiro gira a roda e guia o barro com as mãos. Mas há também uma força que tende a jogar o barro para fora da roda, para fora das mãos do oleiro e esta é a Força Centrífuga. Como se pode ver, podemos estar nas mãos de Deus, mas estamos fazendo força para escapar das suas mãos e nos perder no meio do lamaçal. Quando agimos concordes à vontade de Deus somos como o barro que aceita a condução do oleiro sobre a roda, exercendo uma força centrípeta.

7. O vaso precisa estar no centro da roda para ser construído. O oleiro vai pacientemente modelando o barro, dando forma ao vaso. Vez por outra a massa entorta para um lado, o oleiro puxa; entorta para o outro lado, o oleiro torna a puxar. Depois de pronto, o vaso é colocado no forno para se tornar numa forte e resistente porcelana. É exatamente assim que ocorre conosco. Até pensamos que já estamos prontos para sermos usados, para sermos colocados nos mais altos e mais belos lugares; mas antes disso precisamos passar por uma grande prova de fogo.

8. Depois de passar pelo fogo, o oleiro utiliza vários métodos de testes. Bate no vaso com vários tipos de materiais destruidores. Um bom vaso, que tenha passado por uma temperatura bem alta, que tenha levado muito tempo sendo amassado e cozido e que tenha sido feito por um bom oleiro dificilmente é quebrado; dificilmente é destruído. Assim ocorre com aquele instrumento que Deus permite passar por várias formas de provação. Ele estará pronto e idôneo para o uso na obra.

Deus tem cuidado de nós. Foi Ele e não nós que nos fez. Somos ovelhas do seu pasto. (Salmos 23). Confiemos em sua poderosa mão, afinal somos apenas barro em suas mãos. (Jeremias 18.1-4). Se já somos vasos úteis para a sua glória, glorifiquemos, pois, a Deus. Ainda que para chegar a esse momento de glória tenhamos que pagar o preço.

O PREÇO DO DISCIPULADO

A vida cristã não é um mar de rosas como alguns pensam que seja. É uma vida de grandes realizações, mas também de grandes desafios. O fardo é pesado. Leve é aquele fardo oferecido pelo Senhor Jesus em Mateus 11.30. Todo empreendimento tem um preço; o discipulado também. Discipulado sem a cruz não é discipulado cristão, conforme diz uma das lições bíblicas. A Bíblia nos apresenta os sete “cons” para que tenhamos uma ideia da missão do discípulo aqui na terra, enquanto discípulo de Cristo.

I – Crucificado com Cristo. (Gálatas 2.20). É aceitar a Cristo como seu suficiente Salvador e Senhor, mas aceitar também o cálice amargo que ele enfrentou para nos outorgar a salvação. Isso não quer dizer que o discípulo tenha de carregar a mesma cruz de Cristo às costas; não significa que ele tenha que sofrer os mesmos açoites; ter nas costas os mesmos vergões. Nossa crucificação com Cristo é nossa luta diária contra o Reino do Mal. Todos os dias temos que levar a nossa própria cruz e, às vezes, a cruz de nossos irmãos. Muitas das vezes os cravos que o Maligno prega em nossas mãos são as afrontas contra a nossa nova vida; são as investidas de Satanás contra nossa vida espiritual. São os nossos próprios parentes investindo forte contra a nossa nova vida em Cristo. Buscamos, então, uma zona de conforto, tentando fugir da cruz. Os seus mais íntimos discípulos queriam regalias no reino, e ele perguntou se eles estariam dispostos a tomar o cálice que estava reservado para Ele; os discípulos disseram que sim; e ambos morreram por causa do evangelho. Esse foi o preço pago por eles. Eles foram crucificados com Cristo no tempo devido.

II – Morto com Cristo. (Colossenses 2.20). Se no texto anterior Paulo diz que já está crucificado com Cristo e diz que Cristo vive dentro dele; neste ele diz que vive na fé, pela graça. É um mero, um simples cadáver. Cristo é quem manda em sua vida. Seus passos são passos de fé, não são passos de ordens e determinações. Vive por Cristo; vive para Cristo e em Cristo porque morreu com Cristo. Quando o discípulo entende que Cristo morreu para lhe dar vida e vida eterna, ele sabe que nada nesse mundo faz sentido para ele daquele momento em diante. Uma novidade de vida não é figura de retórica; é uma tomada de posição diante de sua vida passada. Esse discípulo não enxerga mais as pessoas pelo mesmo prisma; não fala com as pessoas da forma que falava antes; não vê as pessoas da mesma forma que via antes; nem mesmo reconhece as pessoas como reconhecia antes. Antes as pessoas eram consideradas vivas para eles; agora são pessoas que precisam viver – viver em Cristo. A vida que agora esse discípulo vive não é a mesma vida de antes. Se essa vida ainda é a mesma de antes, ele ainda não se converteu; ele ainda não é discípulos de Cristo. Quem está vivo para o mundo, está morto para Deus. Mas, quem está morto para o mundo, está vivo para Deus. Está experimentando uma nova vida.

III – Sepultado com Cristo. (Romanos 6.4). Este texto fala de batismo e batismo representa a morte para o mundo e vida para Deus. O momento último da morte é o sepultamento; é no sepultamento que estão reservadas as últimas homenagens àquele que existia. Não vivo mais. Cristo vive em mim; nada há de lembranças de minha vida; tudo foi sepultado na minha última decisão. Batizado na morte com Ele. Tudo o que foi falado no tópico anterior serve para este. Ser sepultado com Cristo é estar na mesma condição em que Cristo esteve naqueles momentos em que seu corpo esteve sob a terra. No entanto, Cristo venceu a morte e está com Deus, o Pai. Todos os que foram crucificados com Ele e sepultados com Ele estão sob sua proteção. O texto fala no batismo de sua morte, que quer dizer, imerso nele, vivendo nele, por ele e para ele (Romanos 11.36). Os que são sepultados não reclamam, não voltam atrás em suas decisões, não resistem às provas. Este deve ser o comportamento do discípulo que se sente sepultado com Cristo.

IV – Vivificado com Cristo. (Efésios 2.5). Vivificar é viver outra vez ou fortalecer a vida. Somente Jesus nos concede esta possibilidade. Não é simplesmente voltar a ter a vida que tínhamos antes de entrar no discipulado; é possuir uma vida muito melhor ainda neste sistema de coisas; e na vida vindoura ter a vida eterna no paraíso celestial. O termo vivificar é dar mais vida, dar mais força na vida, dar nova condição de vida e recuperar a vida perdida. Quando nossa compreensão alcança o nível de que estávamos mortos para Deus; entendemos que começamos a viver quando alcançamos esse estágio em Cristo. Toda a nossa esperança está em Cristo. Toda a nossa alegria está em Cristo. Tudo que temos pertencem a esta nova vida e essa nova vida só existe em Cristo. Por esse motivo, essa nova vida é algo inédito; algo ainda não experimentado por nenhum ser humano.

V – Ressuscitado com Cristo. (Colossenses 3.1). Uma nova vida mencionada no tópico anterior preconiza esta nova providência da parte de Deus; viver novamente em Cristo, depois de nossa morte. Ressuscitado é suscitado da morte para a vida. Uma das maiores desesperanças do infiel, do injusto, do pecador ainda não arrependido de seus pecados é a tristeza da chegada do fim. Com a morte chega o fim. O incrédulo paga tubos de dinheiro para a manutenção da vida porque acredita somente nessa vida. Para ele quando acabar essa vida, acabou todas as coisas; a esperança, a fé, a riqueza, a família. Para nós, os cristãos, começa uma nova etapa de nossa vida com Cristo. Quando eu digo nova etapa, quero dizer que alcancei minha vida eterna quando recebi Jesus Cristo em meu coração. Quando eu morro, apenas troco de lugar. Aqui na terra, cheio de sofrimento, sofrendo as injustiças dos que não aceitaram a Jesus; recebo o prêmio da vida eterna. Jesus morreu, mas ressuscitou. Ele ressuscitou para me dar a certeza de que me ressuscitaria também. Ele vive e eu vivo nele. Ele venceu a morte por mim e para mim; é por isso que creio na vida eterna.

VI – Padecendo com Cristo. (Romanos 8.17). Se é certo que com ele padecemos, é certo que alguma outra coisa irá acontecer, conforme veremos no tópico final. O que não nos esconde que a vida de cristão não significa uma vida de mar de rosas, conforme dissemos na introdução, também não nos esconde que ressuscitaremos com Cristo e teremos porção da mesma glória que ele tem. O cristão padece, mas padece sabendo que a vitória é certa; padece sabendo que será por apenas um pequeno lapso de tempo. Toda vez que as angústias vierem sufocar meu coração, devo ter em mente duas coisas: uma é que Cristo passou por tudo isso como ser humano e venceu. A outra é que Ele prometeu que no mundo teríamos aflição, mas que não perdêssemos a esperança, que ele venceu o mundo. Quando ele diz que venceu o mundo, referindo-se à nossa aflição nesse mundo, isso quer dizer que ele está acompanhando nossa trajetória de vida. Está atento ao nosso sofrimento aqui na terra. Em 1 Coríntios 10.13 a Bíblia nos garante que não permite tribulação tão forte na vida do cristão que ele não possa suportar. Nesse mesmo texto a Bíblia diz que essa tentação é humana; e Deus é quem garante a nossa proteção. Nós padecemos com Cristo certos da vitória.

VII – Glorificado com Cristo. (Romanos 8.17). Glorificado não é apenas alguém ser elogiado por outrem; alguém ser elogiado por algo que tenha feito. Ser glorificado por Deus (João 12.26b) ou por Cristo (verso citado no caput) é ter uma participação na glorificação da divindade eterna; galardão reservado por Deus, fruto de sua magnífica graça e misericórdia.

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Tema: Vida Cristã, Teologia, Religião Palavras-chave: -, aprendizagem, cristã, discipulado, vida

Características

Número de páginas: 96
Edição: 1(2017)
Formato: A5 148x210
Coloração: Preto e branco
Acabamento: Brochura c/ orelha
Tipo de papel: Offset 75g

Livros com menos de 70 páginas são grampeados; livros com 70 ou mais páginas tem lombada quadrada; livros com 80 ou mais páginas tem texto na lombada.




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