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SASSÂNIDAS

Por: ADEILSON NOGUEIRA

Um império estava em jogo enquanto dois exércitos se preparavam para o combate no deserto iraniano, manobrando ao som de gritos de comando, de cavalos resfolegantes e do estrépito de armas e armaduras. Nenhum relato detalhado da batalha daquele dia de 224 d.C. chegou até nós, mas os primeiros soldados de ambos os lados a entrar em ação foram provavelmente arqueiros montados em pôneis leves que galopavam em direção ao inimigo e depois davam meia-volta, enquanto lança¬vam uma chuva mortal de flechas. Quando um dos comandantes julgou ter enfra¬quecido suficientemente o adversário com essa tática, mandou sua cavalaria pesa¬da. E o oponente, vendo o início da carga, deu sem dúvida a mesma ordem; ambos sabiam o valor do ímpeto nesse momento crucial da batalha. Os cavaleiros, sobrecarregados com elmos e cotas de malha que podiam pesar até 40 quilos, aponta¬vam suas lanças e colocavam suas grandes montarias em marcha. Os cavalos, tam-bém pesadamente protegidos por cotas de malha, arrastavam-se por alguns metros até ganhar velocidade. Mas logo duas massas de homens e animais envoltos em fer¬ro, com lanças eriçadas, espadas e machados cintilando ao sol, corriam para uma estrondosa colisão.

Uma das forças era liderada por Artabano V, soberano do Império Parto. Seu vas¬to e outrora poderoso domínio estava em jogo. O outro comandante era Ardachir, da pequena província de Pérsis, no interior do Irã, que em anos recentes havia for¬mado, pela força ou persuasão, uma coalizão de estados vassalos para rebelar-se contra seus senhores partos. O exército de Ardachir já batera Artabano duas vezes, mas em ambas as ocasiões os partos tinham conseguido se reerguer. Dessa vez, o persa resolveria definitivamente a questão.

O impacto das forças rasgou o ar do deserto e derrubou os guerreiros de suas montarias. Logo o campo se transformou num emaranhado sangrento de homens e animais. À medida que o combate avançava, ficava clara a vitória de Ardachir. Então, no meio da confusão, parece que ele encontrou e atacou seu inimigo Artaba¬no — pelo menos, foi dessa maneira que mais tarde Ardachir mandou representar o evento numa escultura de pedra comemorativa de seu triunfo. Se a escultura esta¬va correta, Ardachir atacou a galope e atingiu Artabano com a lança, derrubando-o junto com o cavalo. De acordo com a tradição, continuaram a lutar a pé até que Ardachir matou Artabano a porretadas. Para não deixar dúvidas quanto ao resulta¬do, o persa mandou esfolar Artabano e expôs sua pele em um templo.

Toda essa violência marcou a ascensão ao poder imperial de uma nova e dinâmi¬ca dinastia persa. Os Sassânidas — assim denominados em homenagem a Sassan, avô de Ardachir — iriam dominar com mão de ferro um território que se estenderia do golfo Pérsico ao mar Negro e da Síria ao Afeganistão. Apoiados numa religião estatal que conferia uma aura divina a sua autoridade, sustentados por um exército pronto para lutar contra inimigos civilizados ou hordas bárbaras, os soberanos da Pérsia direcionariam suas energias para a restauração da antiga glória do Império Persa, fundado há mais de sete séculos por Ciro, o Grande.

Até certo ponto, tiveram êxito. Contudo, esse sucesso custou-lhes hostilidade implacável de seu vizinho do Ocidente, o Império Romano, uma hostilidade que após três séculos de guerra deixaria os antagonistas enfraquecidos e vulneráveis às incursões bárbaras.

Do lado oriental, por sua vez, os Sassânidas viveriam numa espécie de simbiose com a India. Lá também surgiria um novo regime durante essa época. Para os persas, o longo e pacífico reinado da dinastia Gupta da índia daria a estabilidade necessária à fronteira entre os dois países. Ao mesmo tempo, as poderosas forças fronteiriças da Pérsia, que repeliam os ataques dos hunos a seus domínios, também protegiam, embora não intencionalmente, os Guptas dos bárbaros, que, de outra forma, poderiam penetrar no subcontinente indiano. Enquanto durasse a barreira persa, a notável cultura da Índia poderia florescer com tranquilidade. Assim, a Pérsia Sassânida e a India Gupta, cada uma a sua maneira, seguiriam um destino tornado possível pela vitória de Ardachir nas areias do deserto.

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Tema: Educação, Geografia E Historia, Não Ficção, Ásia, Civilização, Medieval Palavras-chave: dinastia, histÓria, pÉrsia, sassÂnidas

Características

Número de páginas: 94
Edição: 1(2017)
Formato: A4 210x297
Tipo de papel: Offset 75g

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