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DO OUTRO LADO DO MEU CORAÇÃO

Por: MARLUCE MARIA DA COSTA

O FLORESCER DO LÍRIO ENTRE OS ESCOMBROS DA VIDA

Toda mulher leva um sorriso no rosto e mil segredos no coração

(Clarice Lispector)

Uma das maiores conquistas humanas não foi o fogo, a roda ou a tecnologia, mas, a escrita. O poder poético, humanizador e reflexivo do símbolo gráfico da palavra, em uma expectativa partilhada, reflexiva e reveladora dos nossos mais íntimos segredos, lança-nos ao mais imprevisível e instigador de nosso ser. Provoca-nos entendimento e estranhamento, simbolização e significado, pulsação e ambiguidade. Leva-nos aos mais des_conhecido de nós. Coloca-nos em uma elaboração constante com nossos padrões de existir, com as nossas imagens arquétipas em uma diária experiência e vivência humana.

Quando me foi dado o prazer de comentar o livro: “Do outro lado do meu coração”, de Marluce Maria da Costa, veio-me, de imediato, uma in_evitável interrogação: Que experiências a palavra marluciana me traria? Não me furto às descobertas, tampouco, às modulações do sentir. Ambos se assemelham ao meu ser em forma de grito ou silêncio. De espaço extemporâneo (atrativo e profético) ou caminho de individuação (em in_complectude e des_estruturação). O livro, à minha frente, ocupava o seu lugar de mistério. Minhas mãos (e olhos), instrumentos de resgate. Não perdi a oportunidade.

O gênero narrativo e representativo contido no livro nos possibilita um apertar de coração a mais. Pois nos abre a porta, ou melhor, nos escancara a vida em suas mais significativas (e modestas) expressões, e, em convite amigável nos chama para dentro. Apresenta-nos, de maneira ampla e necessária, imaginativa e refinada, a relação da autora com a sua própria história. Com os seus entraves e sonhos, com suas oportunidades e fracassos. Apresenta-nos uma personagem forte. Com suas crises emocionais e empoderamento social, dispondo-se ao imponderável caminho do existir.

Marluce Maria da Costa, confortável ou não, em dois atos e 55 recortes existenciais nos mostra uma trajetória remontada de fatos pessoais e familiares significativos. Traz-nos tons e cores regionais de imenso encantamento poético “O crepúsculo já descia irradiando filetes vermelhos pincelados de violetas, fazendo uma curvatura rósea rubra. Os verdes dos canaviais ao longe daqueles prados eram embalados suavemente como ondas do mar pelos ventos primaveris”. A cada re_encontro de vida a escrita marluciana se alonga, prazerosa e faceiramente, feito aboio do vaqueiro ao entardecer.

A cada lembrança referenciada nos enche de proximidade e perplexidade, pois “há, sempre, algo triste no agonizar do dia. Morre a luz para dar expansão às trevas”, como se nos testificasse da grandeza dos mistérios das coisas que há do outro lado do nosso coração. Nas entrelinhas do nosso existir. E, que nem sempre nos damos conta de sua intensidade emocional. Dos segredos velados, das aparências permeadas entre as quatro paredes, dos des_cuidados responsais devastadores pelo objeto amoroso, da força e bruteza masculina e da capacidade empática do desejo feminino de seguir em frente.

Neste “Do outro lado do meu coração” a escrita está, quase sempre, im_pronunciada de afeto e emoções. Marluce Maria da Costa nos fala de amor, de cuidados, de fé, de esperança, de despedidas, de reencontros, de melancolia e de vinganças em movimentos velados e des-contínuos, conduzindo-nos a uma elucidação permanente. Dizendo-nos o quanto a vida é surpreendente. Seja nas caladas coisas, nas traiçoeiras juras de amor, nos suportes das linguagens do olhar ou no improvável instante em que “as cigarras ao longe, sobre um pé de umbuzeiro, no meio do nada, ainda catam em lamentações.”

Essa perceptível fragmentação afetiva, expressa em todo corpo textual, “uma narração eclodida das entranhas d’alma, mesclada de ternura, drama e mistérios (...) sustentada por um fio da vida (...) com toda convicção, algo que está além das fronteiras do conhecimento”, sabiamente explorada pela autora, que nos diz, expressivamente, do que “a vida com seus interesses variados vai amortizando alguns sentimentos inefáveis” por dentro de nós, é um processo multiplicador de curiosidade e encantamento, que nos coloca ao encontro de nossa própria emotividade verônica de ser, de querer e de existir.

Marluce Maria da Costa, neste belíssimo “Do outro lado do meu coração” nos revela, em intimas re_entrâncias humanas, vivências, experiências e existências cotidianas. E assim, em uma postura de oferta, a cada texto nos aponta o seu in_sustentável tecer de vida. Mostrando-nos, inquestionavelmente, que “sempre existe alguém que precisa de outro alguém”, e que “um escritor é alguém que tem algo a dizer e faz expressando as ideias nas quais de fato acredita”, em cuja escrita, “pontes entre mundos e reinos (...) nossos destinos são traçados” e, pelo afeto, “podemos escolher sofrer ou amar.”

A escrita marluciana, neste “Do outro lado do meu coração” nos leva a compreender a vida como de fato é, sem que a tenhamos por projeção, ou ideação. As narrativas propostas pela autora são calcadas de aconte/ser humano. Realçadas de relações interpessoais, construídas e des_construidas no estender do amadurecimento da(s) existência(s) intrafamiliar(es) em que a personagem principal se vê inserida. O texto nos mostra que “a vida tem uma linguagem própria que faz despertar (...) sua sabedoria nos conduz para nos aperfeiçoar” e, estando atentos, percebemos “os sinais que ela dá”.

São estes in_quietantes sinais, revelados neste singular livro de Marluce Maria da Costa que substanciam o múltiplo in_terrogo feminino e nos faz entender que “não nascemos apenas para nós mesmo” e que “ninguém impõe afeto ao outro. O coração, a alma, tem um único comando, pessoal e intransferível. Ama-se a quem faz por merecer. Somos completos quando estamos compartilhando”. E assim, percebemos que “o sonho não é simplesmente um desejo, ele é a junção do espírito e da matéria, e para concretizá-lo é preciso acreditar nas essências desses conhecimentos que trazemos na alma.”

O cuidado afetivo elaborado por Marluce Maria e observado inequivocamente neste “Do outro lado do meu coração” nos impulsiona sempre à frente. Aperfeiçoando-nos e nos tornando “cada vez mais confiantes”, pois, “são energias, são forças do espírito (...) são fontes de prazer ou desprazer para nossa alma, que é quem de verdade sente e vibra” já que, “tudo quanto existe no universo nasceu para ser leve e circular emoção”. Assim, “sem esperar que a felicidade venha do outro, somente através desse caminho nossa capacidade de amar amadurece”, mas isto, pouquíssimo consegue enxergar.

Eis a dimensão da literatura: “(...) força que faz a diferença daquele que sente, pressente e vê além do olhar (...) extrai das estrelas, das profundezas da negritude sepulcral das horas mortas a infinidade de poemas não verbalizados”. Eis a escrita marluciana: “somos um mistério que utilizamos apenas a superfície (...) uma mistura de emoções repentinas e de coisas do mundo a certas ternuras secretas”. Eis a nossa intrínseca percepção: “sem apressar esses emaranhados de sentimentos” somos arrastados “pela fluidez natural do coração convertido em pedacinhos de cacos e cinza.”

Assim é a vida: um chão revestido de encanto e mistérios, “um rio de águas diáfanas (...) arte dos secretos impulsos”. Assim é o amor: nervuras de barros de velhas olarias, “árduos processos da reconstrução de nós mesmos (...) ligado pelos fios circulares do tempo”. Assim é o coração: “estrada longa e larga” na qual vamos “explorando, multiplicando, gerando, fortalecendo, criando, fazendo surgir onde antes nada havia descortinado o que estava oculto, dentro e fora da alma.” Assim é este livro “Do outro lado do meu coração”: Lírio florescendo por entre os escombros escuros da vida.

Um belíssimo livro: Recomendo a leitura em afeição de alegria.

Alufa-Licuta Oxoronga

Psicólogo e Escritor

Selos de reconhecimento

Impresso
R$ 49,10

Ebook (PDF)
R$ 22,60

Tema: Shakespeare, Caribeanho E Latino Americano, American, Literatura Nacional, Ficção e Romance, Drama Palavras-chave: amor, brasil, nordeste, sertÃo

Características

Número de páginas: 211
Edição: 1(2019)
Formato: A5 148x210
ISBN: 978-16-945-1473-8
Coloração: Preto e branco
Acabamento: Brochura c/ orelha
Tipo de papel: Polen

Livros com menos de 70 páginas são grampeados; livros com 70 ou mais páginas tem lombada quadrada; livros com 80 ou mais páginas tem texto na lombada.




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