O suor de décadas é a tinta da história,
Mãos calejadas que ergueram o concreto da nação.
Hoje a recompensa é apenas a memória,
E o descaso frio, a única gratidão.
Nas esquinas do tempo, o idoso caminha,
Carregando a vida em passos contidos.
O Estado que o usou como própria linha,
Hoje o joga ao mar dos esquecidos.
Não pedem luxo, pedem o direito,
De ter na mesa o pão e o remédio na mão.
Mas a caneta do poder, sem qualquer respeito,
Assina o abandono em vez da proteção.
Onde estão as leis que juraram amparo?
Transformadas em cinzas por mãos de ganância.
O custo da dignidade tornou-se muito caro,
Para quem entregou a vida com tanta constância.
Eles são bibliotecas de carne e ternura,
Arquitetos de um mundo que hoje os repele.
A solidão é uma capa, uma armadura,
Que o inverno da vida insiste em pôr na pele.
Governos passam, a dívida fica,
Uma cicatriz aberta no peito social.
A alma da pátria, essa gente rica,
É deixada à deriva em um fim desigual.
O tempo cobra o suor de quem tudo doou,
O Estado ignora a conta que o idoso pagou.
Mãos de concreto, hoje esquecidas no abandono,
Enquanto o poder descansa em seu falso trono.
O remédio falta, a despensa está vazia,
A velhice é um crime sob a tirania.
Sem filhos, sem amparo, sem qualquer afeto,
O descaso do governo é o seu único teto.
Não peço caridade, exijo a justiça,
Para quem ergueu a pátria com tanta cobiça.
Transformaram sua vida em nota de rodapé,
Mas ainda há força em quem vive de pé.
Onde estão as leis?
| Número de páginas | 35 |
| Edição | 1 (2020) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Capa dura |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Polen |
| Idioma | Português |
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