São Luís do Maranhão, 1614. O sol queima a areia diante do forte. Um homem tupinambá é amarrado à boca de um canhão. Acabaram de batizá-lo: os frades capuchinhos querem que morra cristão e garantem que sua morte vai purificar a terra. Seu crime tem nome, mas é proibido dizê-lo. Os padres o chamam de pecado nefando, aquele que não se pronuncia.
O pavio é aceso. A multidão prende a respiração.
O estrondo ecoa até hoje.
Ele não foi o primeiro. Antes dele, Roma queimou homens em praça pública, Florença criou uma polícia só para caçá-los, a Inquisição acendeu fogueiras de Sevilha a Lisboa. Depois dele, viriam o triângulo rosa costurado nos uniformes dos campos nazistas, a castração química do gênio que ajudou a vencer a guerra, o "câncer gay" estampado nas manchetes.
Mas existe outra história, sussurrada por baixo desta. A do imperador que transformou o amado morto em deus. A dos trezentos amantes que preferiram morrer a recuar. A da travesti que, em 1591, desafiou o Santo Ofício. A das lésbicas que ocuparam um bar em São Paulo e transformaram a expulsão em dia de orgulho. A da noite em que um bar de Nova York decidiu revidar.
Cinco mil anos. Todos os continentes. Um nome que tentaram apagar. Este livro o devolve.
NEFANDO. Leia o que nunca deixaram você ouvir.
| Número de páginas | 234 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Polen |
| Idioma | Português |
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