O manuscrito que se segue foi recuperado dos arquivos parcialmente calcinados do Mosteiro de São João Evangelista, na costa de Yorkshire, após o ataque pirata no inverno de 1418. O texto original, escrito em uma mistura de latim eclesiástico e nórdico antigo vulgar, parece ter sido registrado pela mão do Frei Thomas, um monge que passou seus últimos anos catalogando as crônicas heréticas dos marinheiros do Mar do Norte.
Embora a Igreja classifique os eventos de Skagen e os chamados "amuletos de vento" como superstições pagãs ou feitiçaria menor, os registros comerciais da Liga Hanseática daquele mesmo período (fevereiro de 1346) confirmam uma anomalia climática sem precedentes: um congelamento súbito do porto de Skagen, acompanhado por um silêncio atmosférico que durou exatamente trinta e seis meses.
Os mapas de navegação da época também fazem menção ao Leviatã, um "navio híbrido de casco negro que navegava sem remos nas calmarias". Se Alistair Vance existiu como homem ou se tornou apenas um arquétipo do sacrifício náutico, a história não pode provar com absoluta certeza. No entanto, o fragmento de linho endurecido com um núcleo de cinza vitrificada — que hoje repousa na cripta de nossa biblioteca — permanece inexplicavelmente quente ao toque, mesmo nas noites mais rigorosas de dezembro.
Que o leitor encare estas páginas não como uma apologia às artes proibidas do ar, mas como o testemunho da eterna e perigosa barganha entre a ambição do homem e o silêncio do oceano.
| Número de páginas | 51 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Offset 75g |
| Idioma | Português |
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