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NÃO JULGUEIS

Por: ADEILSON NOGUEIRA

Que muito que obre assim um Legislador tão humano que reduz todas as leis a um único preceito, qual seja o da Caridade, da Caridade Universal, que compreenda todos os homens sem excetuar um só; que manda perdoar as mais atrozes injúrias, não até sete vezes (o que já parecia demasiado aos seus discípulos) mas ainda até setenta e sete vezes, isto é, sem limite algum; que ordena, com todo o império, que além de amarmos os nossos inimigos, como a nós mesmos, façamos-lhes o bem que nos for possível? Em uma palavra, que muito que obre tantos prodígios de amor com o mesmo Homem, de quem recebe amiudadas ofensas, um Deus que nos segura, que na sua Corte Celestial é muito mais festejada a conversão de um só pecador do que a salvação de noventa e nove justos; que nos protesta não querer que o pecador pereça, mas ao contrário que se converta e viva; e que, bem apesar da sua misericórdia, só desampara (por não poder faltar aos impreteríveis direitos da sua justiça) aquela alma infeliz, que teima em perder-se.

É sem dúvida que semelhante extremo de bondade basta por si só a dar-nos uma amplíssima ideia da grandeza do coração de Jesus Cristo. Mas quanto se dilata ainda mais esta mesma ideia no espírito, quando recordamos da misericordiosa condescendência com que este divino Salvador se digna em público mesmo tomar a defesa dos pecadores penitentes contra as atrevidas censuras do mundo, declaradas antagonistas da penitência? Que importa que o temerário Simão se escandalize e murmure ao ver a humilde Madalena, até então desgraçadamente célebre em toda a Judeia pelas suas torpes desenvolturas, banhando já com lágrimas de verdadeiro arrependimento os sagrados pés de Jesus Cristo? Que importa se um motim de hipócritas acusadores solicite perante ele com simulado zelo a condenação da lei contra a esposa infiel, mas arrependida já da sua infidelidade? Que importa que os mesmos discípulos que o seguiam ao atravessar a cidade de Jericó, estranhem e censurem a benigna e misteriosa facilidade com que ele entra e se hospede em casa de Zaqueu, cabeça dos publicanos, tido e havido no conceito geral do povo por homem de má vida, mas já então, por impulsos da Graça, resolvido a emendá-la? Duas palavras proferidas por Jesus Cristo em abono destes ilustres penitentes desvanecem em um instante os precipitados juízos de seus rígidos censores. Simão emudece convencido de seu erro, e a Madalena é perdoada; os fariseus retiram-se confusos e a mulher adúltera é absolvida; os discípulos reconhecem a sua imprudência, e Zaqueu é declarado verdadeiro filho de Abraão.

Mas que muito que obre assim um Senhor tão magnífico nas suas recompensas, que dá generosamente ao jornaleiro, que vem para o trabalho à hora undécima, o mesmo salário que ajustara com o que chega logo ao romper do dia? Que muito que obre assim um Mestre tão cheio de clemência, que repreende com aspereza a dois dos seus discípulos só por mostrarem desejar que baixasse do Céu o fogo para justo castigo dos culpados; que estranha a um deles a indiscreta ousadia de puxar pela espada para defender-lhe a vida; que manda a todos que aprendam do seu exemplo a serem, como ele é, afáveis e humildes de coração? Que muito que obre assim um Juiz tão indulgente, que prefere misericórdia ao sacrifício; que condena os erros, compadecendo-se ao mesmo tempo do que erram, e procurando instrui-los primeiro que os condene; que só se mostra irado contra os hipócritas, porque, amando sem escrúpulo o pecado, aborrecem por escrúpulo os pecadores? Que muito que obre assim um Pai tão amoroso, que recomenda os seus caros filhos que se amem uns aos outros da mesma forma que ele os ama a todos; que proíbe a cada um deles repreender em público a seu irmão pela primeira vez que o ofende; que deseja que na sua numerosa família reine de tal maneira a paz, a harmonia e o amor que, de todas as almas e de todos os corações, por mais dessemelhantes que pareçam nas ideias e nos sentimentos, forme-se todavia, num só coração, uma só alma? Que muito que obre assim um Legislador tão humano que reduz todas as leis a um único preceito, qual seja o da Caridade, da Caridade Universal, que compreenda todos os homens sem excetuar um só; que manda perdoar as mais atrozes injúrias, não até sete vezes (o que já parecia demasiado aos seus discípulos) mas ainda até setenta e sete vezes, isto é, sem limite algum; que ordena, com todo o império, que além de amarmos os nossos inimigos, como a nós mesmos, façamos-lhes o bem que nos for possível? Em uma palavra, que muito que obre tantos prodígios de amor com o mesmo Homem, de quem recebe amiudadas ofensas, um Deus que nos segura, que na sua Corte Celestial é muito mais festejada a conversão de um só pecador do que a salvação de noventa e nove justos; que nos protesta não querer que o pecador pereça, mas ao contrário que se converta e viva; e que, bem apesar da sua misericórdia, só desampara (por não poder faltar aos impreteríveis direitos da sua justiça) aquela alma infeliz, que teima em perder-se.

E como será na verdade, como será sensível o terno, o generoso coração de Jesus Cristo à perda de uma só alma, depois de tantos e extremados esforços, que faz o seu Amor para salvá-la Se este homem Deus derrama piedosas lágrimas sobre a sepultura do seu amigo Lázaro, é porque se lembra da triste sorte do pecador obstinado, de quem Lázaro, há quatro dias morto, era, no sentir, a figura. Se este nosso Divino Redentor sente com veemência da mortal agonia esvair-se em abundante suor de sangue, o precioso sangue, que no seu coração havia depositado o Espírito Santo, é porque nestes mesmos dolorosos instantes ele está vendo que a muitos pecadores, por quem vai sacrificar a vida, há de ser inútil o seu sacrifício. Se este Deus, que todo é caridade, parece de alguma forma arrepender-se de ter dado o ser ao discípulo traidor, é por saber decerto que ele há de resistir contumaz à sua graça, perder de todo a esperança, morrer impenitente e condenar-se para sempre.

Jesus Cristo, pregado em uma cruz, crivado de golpes, banhado no seu próprio sangue, suspenso entre o céu e a terra, e lutando com a vida na maior veemência de mortais ânsias, entre convulsões, envia o seu terno coração até o céu com os derradeiros alentos da sua vida. Ele não pediu ao pai que desprendesse os raios da sua justa vingança contra os inumanos assassinos do seu inocente e amado filho? Mas como pode respirar vinganças, por justas que sejam, o coração de um Deus, que expira à força de Amor? Nestes portentosos momentos das suas maiores misericórdias que súplicas fará ao Céu o Redentor dos homens, que não sejam a favor dos homens? O veemente desejo de nos salvar a todos é a sede misteriosa, que atormenta o seu amante coração à medida que o derradeiro talho da morte se avizinha... Ele chega, então, como que esquecido de si mesmo, e só lembrado da nossa felicidade, pede humilde e fervorosamente a seu Pai que perdoe àqueles mesmos, que o estão crucificando. Ainda faz mais, para assegurar melhor o despacho desta piedosa súplica, ele mesmo os desculpa, por não conhecerem todo o horror do seu crime.

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Tema: Espiritual, Crescimento Pessoal, Afirmações, Não Ficção, Louvor e Adoração, Autoajuda Palavras-chave: divina, fÉ, jesus, julgamento, justiÇa

Características

Número de páginas: 29
Edição: 1(2018)
Formato: A4 210x297
Tipo de papel: Offset 75g

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