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NOITE SEM LUA

- REFLEXÕES DE VIDA -

Por: ADEILSON NOGUEIRA

A noite sem lua é para o pensamento o mesmo que um mundo sem atmosfera. Vêem-se milhões de astros e luzeiros; mas o homem interroga-os e eles nada dizem. A lua, sim, essa amável companheira da terra, unicamente feita para as delícias do homem, rasga as cortinas do espaço, e ao clarão da sua luz divina, revela-nos tanta coisa que não é possível deixar de ver a verdade e de agradecer a Deus o seu infinito amor.

Quem pode em consciência acreditar que, sendo Deus onipotente e necessariamente bom, e tendo em mente fazer a felicidade do homem, fizesse-o moralmente tão imperfeito e fisicamente tão miserável? Que importa que, para iludir esta triste verdade venha a impostura teocrática dizer-nos que não é nesta vida transitória, onde tudo é precário, que o homem deve buscar o seu destino e felicidade, mas sim na vida futura e eterna, prometida à alma? Quem não vê nisto uma solução contrária ao que nos dita a razão e a consciência? Pois Deus, onipotente, carece de meios indiretos para fazer o nosso bem, de modo que o homem só na outra vida possa alcançar a ventura desejada, depois de ter aqui sofrido por tempo indeterminado males inauditos? E, ainda obtida a felicidade futura, quem o livra da terrível realidade do passado?

Colocado entre o passado e o futuro, ou entre a mocidade e a velhice, assemelha ao caminheiro, que, no fim do dia, sentado, pensativo, à beira da estrada, lembra-se do que deixou e sente-se incerto do que vai achar. Começa então a vida íntima, isto é, a vida em que ele se vê frente a frente consigo mesmo e com Deus, que lhe fala na consciência (maximus intra me Deus est).

Lançando uma vista sobre o passado, de quantas culpas ele se não acusa? E olhando para a eternidade, que temores o assaltam, pensando na vida de além túmulo. Até aí ele vivera só para si, fora das leis divinas e humanas; agora conhece que o fim do homem no mundo é muito diverso do que ele pensara, e que cada indivíduo é um elo da infinita cadeia da humanidade, destinada a formar uma família universal, de que Deus é o pai comum.

Saciado do mundo, e vendo que o mundo não foi feito para a alma, vai buscar refúgio no céu, como fez o grande ambicioso que, depois de ter perturbado por tantos anos a paz da Europa; vestiu a túnica do monge e foi encerrar-se no mosteiro de São Justo. Nesta vida de expiação o surpreende a velhice e à velhice sucede a decrepitude, em que o homem acaba por ser considerado um ente importuno e inútil, de que os outros desejam desapegar-se.

Mas que fenômenos admiráveis na vida deste ente privilegiado, que com o seu gênio assombra a si mesmo. O bruto se rebela, e ele o doma; os elementos se conjuram, e ele os vence; a natureza esconde os seus segredos, e ele os descobre; o céu quer subtrair-se ao seu conhecimento, e ele ousa medir-lhe as distâncias, calcular os tamanhos, acompanhar a marcha dos corpos, alcançar aqueles que lhe estão fora da vista, e conhecer a harmonia de todo o universo.

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Tema: Mensagens, Educação, Didáticos Palavras-chave: ensaios, meditações, pensamentos, reflexões

Características

Número de páginas: 25
Edição: 1(2020)
Formato: A4 210x297
Tipo de papel: Offset 75g

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