No Brasil do século XIX, o cheiro de café torrado e cana-de-açúcar era também o cheiro do suor de mulheres como Maria. Para os senhores de engenho, Maria não tinha nome; era apenas "peça", um número no inventário. Seu empenho era visto como obrigação natural, e sua inteligência, um perigo a ser contido. Ela trabalhava de sol a sol, cuidava dos filhos dos outros enquanto os seus próprios eram vendidos, e seu corpo era tratado como propriedade alheia. O rebaixamento era total: ela não podia andar na calçada, não podia aprender a ler e, acima de tudo, não podia dizer "não".
Mas, mesmo nas sombras da senzala, Maria e outras mulheres teciam uma rede invisível de resistência.
Com a Lei Áurea em 1888, a liberdade jurídica chegou, mas a liberdade social demoraria muito mais. No início do século XX, mulheres negras como Antonieta de Barros (a primeira negra bacharel em Santa Catarina) começaram a usar a educação como sua nova ferramenta de luta. Elas deixaram as plantações para assumir postos de professoras, costureiras e, mais tarde, operárias. Hoje, no século XXI, vemos o resultado desse longo caminho. Mulheres ocupam presidências de empresas, lideram pesquisas científicas, comandam governos e escrevem livros best-sellers. O tema "Sem Pedir Licença" nasce exatamente dessa transição: da mulher que precisava pedir permissão para existir, para a mulher que hoje ocupa seu espaço por direito próprio, fruto do empenho de gerações que se recusaram a aceitar o lugar que lhes foi imposto.
| Número de páginas | 39 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Capa dura |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Offset 90g |
| Idioma | Português |
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